Memorabilia
Edição n°2: O arquivo impossível. Ou ainda: Futurismo.
Em 2010 senti um enumbramento1 mental.
Lia A Interpretação dos Sonhos e parei de sonhar (insira a imagem de Freud com a sobrancelha levantada), explico: tanto o movimento psíquico-noturno de sonhar, quanto movimento psíquico-de-vigília sonhar.
Dormindo ou acordada, só via uma escuridão profunda e sem sentido.
Nas idas ao trabalho (bournautinho começou aqui), caminhava batendo nas coisas e nas pessoas, com uma raiva que me deixava vesga e ansiosa.
A memória e seu sistema de elaboração bugaram dentro da minha cabeça de jovem mulher vivenciando uma solidão profunda onde a escrita parecia perdida porque, disso lembro: havia desistido de escrever.
Uma roldana da cabeça havia soltado, um parafuso enferrujado atrapalhava o funcionamento da
Máquina d.anielle
Faltou água no radiador, o motor esquentou e não encostei.
Algo dentro de mim saiu de cena porque estava chegando muito perto do que não se encosta, suponho, desliguei.
Depois de semanas de um sofrimento inclassificável, larguei A Interpretação dos Sonhos e comecei 2666.
Clichê de escritor?
Que seja.
Comi 2666 e, lá dentro, ele remexeu em umas peças, jogou fora outras, reiniciou o modem.
Lembro desse sonho cheio de pilares de areia, uma fonte de água e um carrossel que girava devagar sem que me atrevesse a chegar perto. Foi o desentupidor definitivo do cano bloqueado do meu juízo, saí do sonho transtornada.
Perturbada.
Túrbida2.
Voltei a sonhar o sonho noturno (sim, só ele) e a cabeça girou um cento e oitenta devagar, mas definitivo: passei a escrever sem nenhuma esperança, sem nenhum desejo a não ser o de alcançar o que de imediato a escrita, parecia, proporcionar: dar sentido ao arquivo impossível da minha memória.
A escolha da ficção não foi aleatória, hoje sei: só ela poderia me oferecer ferramentas para me entender sem que me lançasse no real do que vivi, vivia (vivo) e que é insustentável.
A realidade não existe sem a imaginação e ela me deu motivos de continuar.
Entendi que escrevia para vencer a morte (eu sei, eu sei... me deixe acreditar) porque não falo, necessariamente da minha,
óbvio (?)
Contar histórias é uma arte tão antiga como, suponho, o próprio ser humano que é ser humano porque conta histórias (uma dúvida, não uma certeza).
Conta para educar, para entender, para não matar, para se organizar, para se desorganizar, para doutrinar ou libertar, para fugir, elaborar, reconhecer, planejar, alcançar o impossível.
o agora.
Escrever.
✍️Informes:
Mentoria:
Escrita e subjetividade, onde o texto começa?
Desde 2021 faço leituras críticas (trabalhei para Ed. Escaleras fazendo esse tipo de serviço) e oficinas de escrita criativa.
Esse ano abri uma turma de mentoria com duas vagas: preenchi na primeira semana e, passado um pouco mais de dois meses, vejo dois livros sendo montados, lapidados e, sem dúvidas, muito perto de se lançarem para a busca de uma casa editorial.
Hoje tenho mais duas vagas para essa mentoria. Deixo aqui algumas informações, nas imagens que seguem esse texto (encontros via goolge meet).
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✍️Novidades:
📚Agora tenho um site oficial [em construção] para condensar e divulgar meu trabalho literário, acesse para conhecer: aqui.
Lá além de links, vídeos e resenhas, você encontra amostras grátis dos meus dois livros:
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📚Nesse mês de julho, Salitre vai ser lido pelo Clube de Leitura do Mulherio das Letras Zila Mamade.
Fica aqui, portanto, o convite para você que quiser ler e aparecer no encontro.
:)
📚 Nesse mês também aconteceu isso aqui:
Salitre foi lançado em 2023 no meio de caos interno forte e como eu fico feliz que, em 2026, ele ainda ganhe leitores, ganhe novos espaços, apareça junto a títulos de escritoras contemporâneas fortes.
Só posso agradecer a quem lê.
Até breve.
sim, inventei
tá passada?




